Comportamento Alimentar

Se você já vivia em briga com a balança, provavelmente sua luta piorou bastante agora que estamos em quarentena, passando mais tempo em casa, perto da geladeira, da despensa… da comida! Por que uma briga constante com a comida durante a vida tem causado tanto sofrimento pra muitas pessoas? Por que ela é hoje necessária, se vivemos tão bem durante milhares de anos?

 
 

Comer além da conta não é natural.

Pode ser normal, mas fisiologicamente, não é natural. O corpo, quando superalimentado, irá ter um desgaste maior de todos os sistemas: digestório, articular, circulatório, muscular, linfático… Todo o corpo sofre com o excesso de comida. Por isso temos um mecanismo neuro regulatório que nos avisa quando estamos satisfeitos. Em que momento paramos de ouvir esse mecanismo?

 

1) Quando comemos muito rápido: nesse caso, seu corpo não consegue se autorregular, avisando que a quantidade de alimentos já foi suficiente;

2) Quando não mastigamos o suficiente: o ato de mastigar manda a informação para seu sistema digestório para produzir todos os sucos gástricos necessários para a digestão, além de também facilitar a autorregulação da saciedade;

3) Quando você come de forma automática, se distraindo com TV ou celular: você não percebe seu corpo te avisando de que já comeu o suficiente porque está distraído com outra coisa. Quando percebe que comeu mais do que precisava, já passou do ponto faz algum tempo;

4) Quando você não está comendo por fome, mas por causa de alguma compensação emocional. Nesse caso, como o início de sua alimentação já não era fome, não é ela que está motivando seu comportamento, e sim a emoção em si. Você só vai perceber que comeu além da conta quando sentir fisicamente seu estômago cheio demais, a ponto de incomodar!

 
 

Engordar é um sintoma

Você consegue se imaginar com hepatite, ficar com aquela cor amarelada da pele característica da doença e, ao invés de tratar a hepatite, começar a passar maquiagem sobre a pele amarela?

Pois é, é assim que funciona quando enxergamos que muitos quilos se acumularam ao longo de anos, e buscamos apenas perder esses quilos. O que fez com que nosso corpo perdesse a capacidade de autorregulação? Por que acumulamos esse peso?

Ao invés de nos fazermos essas perguntas, ao invés de buscarmos respostas para nos autoconhecer, e assim sarar da “doença” que nos causou o excesso de peso, buscamos apenas perder esse peso e ficar melhores no espelho.

Ao invés de focarmos no mais importante, focamos no exterior, no físico, em um número da balança. Deixamos que o espelho, a balança, as expectativas sociais, passem por cima de algo muito mais importante: minha congruência comigo mesmo e minhas necessidades emocionais.

 
 

Uma vida congruente

O que é essa congruência que eu falo? É uma vida profissional, emocional, familiar, social, financeira e espiritual de acordo com a pessoa que eu sou. Com as minhas preferências mais íntimas, que me trazem sensações de conformidade com a minha essência. Ou seja, se eu sou um engenheiro (como é o meu caso), mas na verdade me realizo intimamente cuidando e tratando do psicológico das pessoas (como é o meu caso novamente), para que eu fique em paz com quem eu sou, para que eu tenha congruência, talvez eu precise rever minha escolha profissional. E foi o que eu fiz. Eu, sem me sentir culpada por toda a carreira e estudo passado, sabendo que tudo faz parte de uma caminhada, mudei de direção e me tornei uma psicoterapeuta. E agora, mais alinhada com a minha essência, consigo ser congruente do âmbito profissional.

 
 

O mesmo exercício precisa ser feito para todas as áreas e aspectos da vida. Não é fácil, geralmente é bastante incômodo, muitas vezes toca em feridas de infância ou familiares. Aí um psicoterapeuta pode te ajudar a organizar as idéias e lidar com as emoções que vierem dessa reorganização.

Ao final do processo, você vai estar mais congruente com sua essência, e vai estar mais atento à sua congruência, de forma que, quando algo te incomodar novamente (e vai te incomodar, porque a vida apresenta diversos obstáculos e desafios), você vai ter aprendido a se observar e fazer as perguntas necessárias para voltar a se colocar no eixo novamente. E não vai ter descontado na comida.

Nesse processo todo, você simplesmente vai aprender a se relacionar novamente com a comida. E uma consequência desse novo relacionamento é que você volta a ouvir seu corpo e saber quando tem fome e quando não é fome. Aprende a parar de comer quando o corpo te manda uma mensagem de que está satisfeito. E, lentamente mas seguramente, você emagrece. Percebe como é uma consequência, e não uma meta final, um objetivo?

 
 

E se eu quero só emagrecer?

Você vai entrar por um caminho mais fácil (emocional e psicologicamente), mas com uma enorme possibilidade de voltar a engordar assim que tirar a foto final do antes e do depois. Isso porque é somente uma minoria das pessoas que engorda porque não sabia a melhor forma de se alimentar. É somente uma pequena quantidade de pessoas que, ao fazer a primeira dieta, pode dizer a partir disso: Ah! Agora já tenho hábitos novos e nunca mais vou engordar.

Será que o se manter magro é uma questão somente de mudança de hábitos? Estou bastante acostumadas a ver pessoas que apenas trocaram sua obsessão pela comida pela obsessão pela dieta e exercícios físicos. Ao invés de terem paz, de viverem despreocupadamente, tendo incluído novos hábitos na sua vida, vivem obcecadas pelo corpo ideal, exercícios físicos e alimentação. Não falam de outra coisa, porque simplesmente deslocaram sua forma de descontar suas emoções.

Outros tantos, a maioria, engorda novamente tudo o que emagreceu no programa de dieta e exercícios e mais ainda! Isso porque o que fez com que você engordasse permaneceu na sua vida, você só passou “maquiagem”. Por isso é tão importante buscar o autoconhecimento e entender a sua relação com a comida.

 
 

Autoconhecimento: como começar?

Você pode começar seu processo de autoconhecimento simplesmente observando as suas emoções na hora que vem a vontade de comer sem fome. Pode se dar 15 minutos antes de comer e anotar o que aconteceu antes de vir a vontade, qual emoção está te movendo naquela hora. Qual memória te despertou. Anote em um caderno especial pra isso.

 
 

Depois, se você quiser, pode fazer os exercícios de respiração desse post, aliado a um exercício físico leve, pode aliviar a ansiedade antes de comer. E tudo isso fará com que sua consciência para o ato de comer seja despertada e, mesmo que você mesmo assim decida comer, não será mais inconscientemente, nem por impulso, nem automática.

Espero que essas dicas tenham te ajudado. Não esqueça de deixar seu comentário nesse post pra eu saber de você!